quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Criando Aventuras: Inspiração e Dissecação

Olá. Para aqueles que não me conhecem meu nome é Evandro e tenho mais de 25 anos de RPG em minha linha temporal. Nesse meio tempo já mestrei e joguei quase de tudo que o RPG poderia fornecer e posso dizer que uma partida de RPG não passa de uma história contada de uma maneira diferente que todo narrador tem que acompanhar com a imaginação de maneira mais dinâmica, fazendo intervenções e criando novas situações. Para se preparar para este importante papel na aventura, o de contador de histórias (ou escritor, diretor, etc.) o narrador tem que se preparar antecipadamente... Às vezes o trabalho do jogador é criar um personagem e pronto! Muitos não têm história de fundo, motivo ou nada que um narrador possa usar para criar a história. Outras vezes o personagem tem um fundo rico que pode arruinar a história criada. Primeiramente aos narradores, pensem na história para os personagens jogadores, eles são os heróis afinal de contas, mas isso é uma coisa que vamos falar outra hora. Agora vamos falar sobre histórias.

Inspiração

Primeiramente como disse é preciso uma boa preparação, mesmo para conseguir inspiração, a mãe das histórias. Para isso leia vários livros diferentes, assista vários filmes e séries (não precisa acompanha-las até o fim, com certeza) e jogue videogames, principalmente os que tem história. Vá a locadoras e veja as caixinhas de filmes, principalmente filmes ruins e leia a sinopse. Eles têm boas idéias que no filme são horríveis, mas aproveitadas para um jogo de RPG podem prometer um jogo muito interessante, se usarmos algumas técnicas que vou descrever depois.

Mas ao ver aquela série em que você diz: eu faria algo melhor com a idéia. Faça! Pegue a idéia, transforme-a para um jogo de RPG! Aquele filme com final horrível? Mude um pouco a história e mude o final! Ou continue a idéia do filme! O monstro não morre no final? Porque não caça-lo? Mas o filme é nos dias de hoje e seu jogo de D&D? Adapte a situação do filme para o mundo medieval e faça os jogadores se depararem! Se um demônio matou todos os sete humanos que vinham naquele barco depositando seus ovos neles, para nascerem outras criaturas e eles desembaraçam o que pode acontecer? E sim isso é Alien o 8º passageiro.

Técnicas para reutilização

Sinopse na Caixinha: vejo muitos filmes do tipo “C” nas locadoras os quais não assistiria, mas as sinopses são bem interessantes (principalmente jogos de terror e fantasia). Vejam bem a fantasia pode usar elementos do terror como se fossem ação então é uma adaptação simples. A sinopse é um resumo da história do filme, sem colocar quais as cenas e a maior parte de história, mas ele já pode dar uma boa idéia do que vai acontecer e acredite que ele acontece melhor em sua mente, este é um exemplo criado por mim de um filme que se chamaria “A coisa da Floresta”: “Um grupo de estudantes chega a uma floresta para curtir um fim de semana regado a sexo e bebidas, desobedecendo aos avisos do povo do vilarejo. A festa continua até que os jovens desaparecem um a um e os que restaram tem que lutar contra uma lenda que atormenta os homens por anos. Serão eles as próximas vitimas da criatura meio humana, meio animal, conhecida como “A coisa da floresta”?”.

Agora pense na sinopse. Você já pensou num começo e provavelmente um final para esse filme. Até imaginou como seria a coisa da floresta ou talvez tenha a foto do monstro na caixa do filme, que se parece com um troll estranho, ou uma coisa feita de plantas... Ai a imaginação corre e voa. Seus jogadores são os jovens, ou talvez policiais que vieram investigar a morte de um grupo de jovens e encontra apenas um sobrevivente...

Bem, para converter isso em D&D é simples: um grupo vai a floresta e desaparece, e os heróis são contratados para ver o que acontece. O povo da vila fala sobre uma criatura lendária e avisa aos heróis para não irem ou tomarem extrema cautela. Os heróis então tem que lidar com o monstro ou monstros.

Tempo: Quando se passou mesmo?
Uma dica interessante é ver em que época se passa um filme ou conto e simplesmente mudar de época. Os piratas poderiam ser piratas espaciais, ou piratas modernos. A guerra contras os dragões poderia acontecer hoje. Viagens no tempo podem ter ramificações interessantes, ou até mesmo eventos que aconteceram no passado afetando o hoje ou ao futuro. Um conto atemporal, sem definição de quando aconteceu, é difícil de ser feito, principalmente para aventuras de RPG.

Gênero: importante.
Toda história segue um gênero. Seja um apavorante conto de terror ou uma melada comédia romântica, todo filme, livro, série ou game tem um gênero. E seu jogo como história também tem que ter. Primeiro defina o gênero. Estou repetindo isso pois é realmente importante. Não posso por um monstro sanguinolento e assassino se minha história é uma comédia romântica não? Errado. Posso sim. O monstro só vai ser...um pouco diferente. Fizeram um romance com vampiros, lobisomens e terror com os príncipes encantados perfeitos o que muda é o foco. O monstro é um elemento secundário, talvez ele fique no porão assustando as pessoas numa comédia. Mas cuidado ao misturar elementos de filmes de gêneros diferentes é necessário cautela. Para ajudar podemos pegar uma sinopse e mudar apenas o gênero. Aquele filme de terror pode virar um filme de ação. Aquela comédia pode se tornar um filme de suspense. Aquele romance pode se tornar um verdadeiro terror. Apenas mudando ou acrescentando elementos. Essa é uma descrição dos gêneros segundo minha pessoa, mas funciona bem. Claro que dentro de cada gênero tem seus subgêneros que são quase infinitos. Seguem:

Comédia: narração com o intuito de fazer rir. Ele lida com situações engraçadas, esdrúxulas ou totalmente fora de lugar. Às vezes um personagem pode ser toda a comédia do filme, o único fora de lugar e num outro filme ele é o alivio cômico, mas quando a ação é focada nele, ai temos uma comédia. Paródias também são boas fontes de inspiração, pois pegam coisas sérias e as ridicularizam. Pode-se usar num único jogo para desestressar ou fazer um personagem para alivio cômico. Talvez um jogo baseado num grupo de Homens de Ferro pobres, Tunam o primo daquele outro bárbaro, ou aquele lobisomem Lupus tentando entender o shopping center.

Suspense: tem o intuito de deixar as pessoas num estado de apreensão. Também um dos gêneros principais dos chamados policiais, onde temos um mistério a ser resolvido apenas as pistas. A narração dá pistas de quem seja o assassino, ladrão, seqüestrador, seu plano e com ou contra quem. Em alguns filmes sabemos quem o fez, mas temos que descobrir o porque e como. Filmes de assassinos seriais, psicopatas, seqüestradores entram nessa categoria. Os novos Filmes Gore como Jogos Mortais também são suspenses. Jogos policiais, investigação sobre assassinatos, alguém seqüestrou sua filha...

Terror: criar o medo em quem vê a história. Os filmes de terror mexem com o subconciente do ser humano criando o medo usando alguns artifícios. O principal é usar o sobrenatural, algo que o cérebro não entende por não ser real. Aqui temos os filmes de monstros, psicopata tipo Jason, forças estranhas e situações limite (como ser enterrado vivo ou ficar preso em um lugar sem meios de escapar). Em filmes de terror os personagens estão para morrer, sumir, virar um monstro a todo instante. Nunca sabemos quando o lobisomem vai pular do mato e morder nossa garganta, deixando uma cabeça pendente... Temos muitos filmes de terror psicológico, onde situações estranhas ou limite podem destruir nossa mente a qualquer momento. Normalmente os personagens não têm como enfrentar a criatura apenas fugir ou descobrir uma maneira de destruí-la, ou descobrir o que ela é. Contos de fantasmas, demônios, monstros e tudo o que é sobrenatural cabe aqui.

Ação: num filme de ação existem os heróis. Protagonistas que correm, pulam, atiram, nadam, exploram e demais verbos de ação. São histórias de aventuras, normalmente do bem contra o mal onde os mocinhos tem a determinação de derrotar o mal. Muitos dos filmes de cowboys, pulp, fantasias medievais, super-heróis, alguns policiais, ninjas, samurais e outros. O estilo de ação é o estilo que mais se mescla a outros, pois pode ter o sobrenatural, a ficção cientifica, comédia ou romance sem perder seu teor. A palavra chave num texto de ação é empolgação, se é legal acontece.

Ficção cientifica: a ciência atingindo níveis nunca vistos. Maquinas que só vimos em nossa imaginação, espaçonaves, viagens dentro do corpo humano, alienígenas, primeiro contato, convivência com seres extraterrenos, outros planetas, evolução do ser humano, poderes psíquicos... A ficção pisa no território do que pode ser, pode acontecer. Mas algumas ficções brincam com a ciência de borda, que usa idéias totalmente impossíveis serem possíveis com a ciência como outras dimensões, clones do mal, teletransporte, mas que podem ser descobertas realmente. É a fronteira final.

Romance: o amor está no ar. Filmes de casais apaixonados, amores impossíveis, desentendimentos, novas paixões, traições, belos lugares. Os romances também têm seus toques de outros gêneros, mas uma formula muito usada é a comédia romântica, onde o protagonista sofre de todo tipo de humilhação para ficar com a mocinha.

Fantasia: sempre nos perguntamos quando pequenos se existem fadas, Pinochio era mesmo de madeira, se a Cinderela tinha outro sapatinho... Os contos de fantasia mudaram conforme o tempo, pois o contos iniciais eram quase contos de terror, mas aqui temos elementos fantásticos e fantasiosos. Contos voltados para crianças, os contos de fadas não devem ser subestimados como fonte de inspiração. Podemos aprender algumas coisas com eles principalmente na sua forma mais pura. Alguns contos foram adaptados, mas foram escritos para manter as crianças longe das florestas. Tínhamos uma chapeuzinho vermelho cometendo canibalismo, e os sete anões eram sete parias imundos por exemplo.

Mix: misturando gêneros. A mistura de gêneros é praticamente obrigatória nos RPGs. Muitas vezes começamos com ação, colocamos os elementos sobrenaturais do terror, ou elementos fantasiosos da fantasia. Em filmes também temos essas misturas, o heróis contra a maldição da múmia, as belas fadas se mostrando monstros terríveis, um romance no espaço ou uma investigação complexa sendo feita por um idiota. Lembre-se que ao misturar temos que colocar a dose certa de cada gênero. Escolha um e depois vá colocando os elementos. Mas nada impede de usar meio a meio ou apenas um gênero em seu jogo ou conto.

Dissecando uma sinopse, para achar o esqueleto:
Podemos achar o esqueleto de um filme. O esqueleto seria a linha central da história, sem nenhum dos elementos dela descritos. Complicado? Nem tanto. Os elementos são as definições ou coisas que definem o filme por exemplo um grupo de piratas, navios, canhões, zumbis, amaldiçoados... Achando o esqueleto posso fazer o gênero mudar facilmente. Vou usar como exemplo Piratas do Caribe 1,vamos para um resumo do filme:

“Um grupo de piratas amaldiçoados procura pelo artefato (moeda) e a pessoa que pode curá-los. Atacam porto após porto tentando achar a moeda para acabar com seu estado e seqüestram a que acham ser a esposa de seu companheiro para acabar com a maldição. Ao mesmo tempo o antigo capitão preso é a única chance do amado da garota salva-la dos piratas e tem que libertar esse capitão para encontrar o barco pirata.”

Ótimo, temos um resumo do filme e vamos minimiza-lo ainda mais, tentando achar a sua linha principal, seu esqueleto. Tirando os elementos teremos algo como:

“Um grupo de amaldiçoados persegue uma cura, seqüestrando quem acreditam tê-la. O companheiro da pessoa seqüestrada se alia a um ex-companheiro dos amaldiçoados para encontra-los”.

E aqui o temos. Usando uma formula simples que diz: Antagonista / ação antagônica – Protagonista / ação protagônica (quem são os sujeitos maus e seu plano e quem são os sujeitos bons e suas ações contra os sujeitos maus) definimos a linha central. Poderíamos criar gêneros diferentes de filmes com esse mesmo esqueleto não apenas aventura, lembrando que no caso de amaldiçoados, pode ser qualquer aflição que aconteça a uma pessoa:

Terror: Um grupo de vampiros seqüestra a freira que acreditam ser descendente de Maria e seu sangue num ritual pode acabar com a maldição deles. Um padre se une a um servo dos vampiros para encontra-los e destruí-los.

Comédia: Os atores pornôs do estúdio Big It não estão conseguindo ter vontade de fazer e seqüestram o Doutor que criou uma formula hormonal muito poderosa. Seu assistente, unido a uma antiga atriz do estúdio corre para salvar o doutor antes que sua formula tenha certos efeitos colaterais.

Suspense: Grupo de cultistas seqüestra garota para seu ritual. O pai e um professor (secretamente do culto) tentam salvar a garota.

Romance: Uma garota se torna noiva contra sua vontade e é levada pela família de seu noivo para longe. A pessoa que a ama tenta a todo custo salva-la deste casamento com a ajuda de um primo do noivo.

Conseguiram acompanhar? Em qualquer conto ou filme, posso usar essa técnica para desmembrar a história e criar uma versão ou mesmo para ter idéias.


Misturando tudo:
Posso pegar dois esqueletos de filmes e fundi-los para ter algo diferente. Vou usar aqui o Alladin, cujo resumo é: “Vizir engana jovem pobre a entrar numa câmara mística e recuperar a lâmpada mágica. No momento de entregar o jovem descobre a traição do Vizir e não entrega a lâmpada e é preso na caverna em que se encontrava. Ele descobre que um poderoso gênio vivia na lâmpada e daria a ele três desejos. Ele se torna um príncipe para ficar com a princesa do reino com a ajuda do gênio. Tem que confrontar seus atos, assim como o Vizir.”

Esqueleto: “Antagonista engana protagonista para conseguir um item. Protagonista fica com item para si, ganhando benefícios, mas é confrontado pela lei e o próprio antagonista”.

Com o esqueleto do piratas do caribe: “Um grupo de amaldiçoados persegue uma cura, seqüestrando quem acreditam tê-la. O companheiro da pessoa seqüestrada se alia a um ex-companheiro dos amaldiçoados para encontra-los”.

Temos duas linhas em que podemos misturar para criar uma linha totalmente diferente: “um grupo de amaldiçoados engana protagonista para conseguir item que eles acreditam acabar com seus males. Protagonista se une a um dos amaldiçoados para salvar o item.”

Usando o gênero ação: “um grupo contrata o famoso arqueologista para conseguir achar a antiga Crux Ansata de Ramsés. Ele descobre que o item os curará de seu estado atual de múmias (que teriam que ficar presas a um local ou cidade específicos) e ainda possibilitará controlar um exercito de mortos vivos para invadir o mundo. Um antigo amaldiçoado, agora livre da maldição o ajuda a impedir que o grupo cumpra seu objetivo”.

Voilá. Uma história novinha apenas misturando alguns elementos das linhas centrais de dois filmes.

Posso colocar elementos de gêneros para criar uma história nova, ou mudar o gênero de um filme ou conto para ficar mais do agrado da aventura. Outro truque é o tempo. Fazer uma aventura acontecer antes ou depois de um conto é interessante, os contos de H.P. Lovercraft de terror normalmente aconteciam depois dos eventos, com pessoas pesquisando o que aconteceu.

São algumas dicas para conseguir inspiração, não são regras a serem seguidas. Assim desejo que todos consigam criar aventuras ou contos bem interessantes.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Aventuras 01/10/10

Olá.

Vou postar por aqui quando der tempo resumo de como foram os jogos de RPG nos fins de semana.

Atualmente participo de dois jogos intercalados.

Eclipse Phase

Mestrado pelo Alex, um jogo de ficção cientifica transhumana com toques de conspiração e terror.

Adventure!

Este eu estou mestrando. Parte do esquecido mundo de Trinity da White-Wolf esse suplemento mostra um mundo pulp, com heróis e vilões maiores que o mundo. Se passa em 1926 e nossos heróis enfrentam desde ameaças antigas, gangsteres e Malfeitores Malignos até robôs malignos.

Fim de Semana na Imaginação

Primeiramente deixe-me agradecer ao leitor internauta e dizer que espero que se divirtam.

O uso da Imaginação, um dos dons mais importantes que temos hoje em dia desaparece. Crianças que não conseguem mais ser super-heróis, caubóis ou astronautas. Modelos prontos para a vida que não nos permite seguir além do que já nos disseram para ir, gostar de coisas que o mundo disse para nós gostarmos. A criança não imagina mais como ser um piloto, ela joga um videogame de corrida. Ela não imagina em como ajudar o oceano, seja como uma sereia ou montada num golfinho a vagar pela imensidão azul. Elas vêem as novelas como se maquiar, namoros, casamentos e traições e isso pode afetar a única coisa que vão sentir saudade de verdade. A infância. Crianças têm que brincar, aprender e imaginar, aprender a pensar, ter sua própria opinião e seus pensamentos. Deixem as pessoas serem bandido ou mocinhos, aliens ou astronautas, vampiros ou lobisomens e que descubram que esse mundo existe em suas mentes, que eles puderam ser o que quiseram. As portas do mundo estão abertas e todos podem ser o que quiserem, mas sempre se lembrando que é apenas uma brincadeira, um meio para se deixar relaxar, imaginar e sonhar.

Sou uma pessoa que trabalha e faz faculdade, mesmo que atrasada, penso no meu futuro. Mas não deixo de tirar um tempo para pensar na imaginação. É onde descarrego minhas raivas, frustrações, o stress do dia a dia. Apenas as criaturas de minha imaginação são feridas, ninguém sofre com isso e aqueles que participam também se descontraem.

Queira ou não, esse mundo vive de imaginação, e por isso eu a treino, pensando em momentos impossíveis. Eu não posso, por exemplo, derrotar o grande vilão que ameaça acabar com a água da cidade, mas meu herói pode. E com essa idéia de poder, consigo um pouco mais de confiança para fazer minha parte contra os “vilões” do mundo real, mesmo que minha parte seja apenas contribuir com a natureza, ou uma instituição.

Por isso peço a todos, tentem um dia pensar como crianças. Tentem se lembrar do que gostariam de ser, fazer ou melhorar nesse mundo. Por um final de semana, tenha um Domingo de Aventura em sua própria imaginação.

Jogo RPG há quase 20 anos e posso dizer que passei por várias fases, modinhas, novas regras, novas tendências, “vampirismo clássico” e “Vampirismo Emo”. Tive pessoas em grupos de RPG de todos os tipos. Gosto de vários sistemas, mas o que realmente me chama a atenção é a possibilidade de se usar a imaginação para criar uma história.